O Brasil atual aspira por paz, respeito, diálogo, saúde com ciência e cadeira escolar. Certo está quem se disponibiliza a buscar caminhos para melhorar a vida das pessoas. Os que se posicionam, com propostas, no enfrentamento das mazelas sanitárias, econômicas e sociais, precisam ser valorizados. Portanto, com base na impressão inicial retratada, é perfeitamente legítimo e eficaz, para a democracia brasileira, o que busca o professor Fernando Haddad, quando coloca o seu “bloco na rua”.

Ainda assim, em uma conjuntura de reações políticas, há quem se posicione de forma contrária a iniciativa do professor ao rodar o Brasil, o principal argumento se dá no desapego hegemônico, que aspira por uma discussão capaz de gerar unidade da oposição e a tão citada “frente ampla”. Contudo, convenhamos, a unidade não vigora com apontamento de exceções. Tampouco, se dará com a exclusão de nomes ou partidos, mas sim, com a disponibilidade de todos para enxergar os que mais se destacam na empatia social. É preciso amadurecimento, não hipocrisia seletiva.

Com isso, parcela da oposição, da esquerda em si, mesmo que demasiadamente qualificada do ponto de vista acadêmico, precisa se desprender das utopias que a limitam na busca por soluções instantâneas, distantes da realidade e, de certo modo, traduzidas em pretensões mágicas que não duram além de uma boa roda contornada por belas conversas e frases de efeito.

Cabe ainda mencionar que, o argumento que melhor aparenta legitimar a disponibilidade do professor Haddad em rodar o país, se dá, infelizmente, quando observamos o que o Brasil tem passado durante a pandemia do coronavírus (COVID-19). É impossível fugir da parcialidade crítica quando observado o que Bolsonaro faz, ou melhor, não faz, para apresentar soluções frente a uma das maiores crises da história global. Não há olhar racional ou cálculo político que justifique tamanho caos vivido no Brasil. Todos são passíveis de errar, muitos erraram, porém, o que menos deveria errar, parece fazer questão de errar. Por isso, confrontar-se aos erros do presidente, torna-se dever cívico.

Ainda que, dentre tantos problemas, a citação aqui posta se dê, especificamente no tocante a pandemia, para limitar esse indigesto momento do texto, aponta-se como um escárnio o fato de ainda não termos clareza quanto a vacinação, mesmo o Brasil sendo referência mundial em campanhas de imunização. Até hoje visualizamos ações desconexas, fuga à argumentação científica, ausência da testagem em massa e apego ao “achismo”. O Fernando Haddad, quando não se omite a conversar sobre situações similares, precisa ser elogiado, não objurgado.

A postura do professor dialoga com o amadurecimento da sociedade, enfrentando a cultura do imediatismo e se preocupando com o futuro, não se resumindo a um presente prolongado. O discurso reacionário perde espaço quando não mais se apoia na relativização das mazelas e na negação da política.  As instituições aparentam iniciar um contunde processo de respostas às tentativas de desestabilização. E a impressão eleitoral se apega mais a questões práticas como saúde, gás, gasolina, super mercado e açougue do que nas pautas de costume – mesmo que legítimas –  que quando distorcidas, hipnotizam com argumentos chulos e mentirosos.

O brasileiro passa a valorizar a sua sobrevivência e não se curvará a ser massa de manobra dos extremistas.

Portanto, os que aqui assinam o presente escrito, disponibilizam apoio ao professor Haddad, agradecem pela sua firmeza e acreditam que seu preparo precisa estar a serviço do Brasil.

Felipe Espirito Santo é cientista político, MBA em Relações Governamentais, Gestão de Projetos e Mestre em Administração Pública. Presidente da Fundação da Ordem Social.

Gastão Vieira é advogado, foi ministro do turismo, presidente do FNDE e secretário de educação do Maranhão. Deputado federal e presidente de honra da Fundação da Ordem Social.